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Foto: Marizilda Crupe (O Globo)
O vexame é grande, mas já foi pior. O museu da unidade guarda a forca onde os voluntários eram obrigados a botar a cabeça e anunciar a desistência. Agora, tempos mais amenos, basta subir ao pedestal, expor o rosto na pequena abertura que dá para o campo de instrução e tocar um sino. Menos um. Não há quem desça de lá de cabeça erguida. Ainda assim, todos querem correr o risco. Parece o treinamento de “Tropa de elite”, só que sem o Capitão Nascimento.
O sonho de todos é fazer parte da Brigada de Infantaria Paraquedista, a mais famosa tropa especial das Forças Armadas, e marchar com os lendários coturnos marrons, projeto de vida que não perde o encanto para jovens das periferias do Rio de Janeiro.
Somente naquele dia, foram 13 badaladas. As desistências, agravadas pelo calor severo, chegariam na primeira etapa (testes físicos) a 30% do total de voluntários do curso básico para oficiais e sargentos. Entre os que ficam, alguns recorrem ao direito a um atendimento médico durante a etapa para deixar o campo de instruções sem ter de subir ao pedestal. Um deles passa mancando por um oficial, que ironiza:
– Isso parece pé-pretismo. É uma alusão pejorativa ao soldado comum, que usa botas pretas e não tem o status do paraquedista.
– Para ser paraquedista, o voluntário não pode ter medo do solo ou pena do corpo – emenda o oficial.
Quem superar as provações, incluindo a terrível ginástica com toros, peça cilíndrica de ferro puro, erguida dezenas de vezes nos exercícios, chegará aos quatro saltos exigidos para receber o brevê e ao privilégio de usar as botas marrons e ostentar no peito o distintivo das asas de prata.
Mas a turma que se forma agora pode ser uma das últimas a festejar a formatura na Vila Militar do Rio. O projeto Braço Forte, lançado pelo Exército com as diretrizes para a reorganização da força, prevê a transferência da brigada para o Planalto Central, junto com os aviões de transporte da Força Aérea. 
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