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Com as divisas da Região Norte sob pressão do tráfico de drogas e da invasão de guerrilheiros, Exército cria 28 Pelotões Especiais

EDSON LUIZ
Ao mesmo tempo em que o Ministério da Justiça planeja criar uma Polícia Especial de Fronteiras (Peflon) para reforçar as divisas do Brasil com outros países, o Comando do Exército já age nesse sentido. Em 2010, uma brigada será transferida de Niterói (RJ) para São Gabriel da Cachoeira, região conhecida como Cabeça do Cachorro, no Amazonas. Além disso, a força criará 28 Pelotões Especiais de Fronteiras (PEF), sendo que quatro estão em construção. Todos serão na Região Norte, onde se acentuam vários tipos de problemas, desde o tráfico de drogas até a ameaça à soberania nacional, com a proximidade de guerrilhas da Colômbia e do Peru.
Para enfatizar o processo, o Exército optou por transformar a 2ª Brigada de Infantaria de Niterói em 2ª Brigada de Infantaria de Selva, que levará para a Amazônia cerca de 3,5 mil homens, muitos deles recrutados na própria área da Cabeça do Cachorro, na fronteira com a Colômbia. Na mesma região, os militares estão construindo um Pelotão Especial de Fronteiras (PEF) em Tunuí, às margens do Rio Içana — afluente do Rio Negro —, onde moram índios da etnia Baniwa. Segundo informações da Polícia Federal, há alguns anos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tentaram cooptar habitantes do local, muitas vezes por meio de ameaças.
Na região próxima a São Gabriel da Cachoeira, o Exército possui um dos mais curiosos pelotões. É o 5º PEF, em Maturacá (AM), formado quase todo por índios, incluindo seu comandante, o tenente Maiko de Oliveira. É uma das áreas mais isoladas e exuberantes do país, habitada apenas por indígenas. Os rios da Cabeça do Cachorro, único meio de transporte da população local, também são utilizados pelo tráfico e pela guerrilha. Há dois anos, a PF apreendeu remédios, munição e alimentos desviados do Brasil que seriam destinados às Farc.
Outro pelotão que já está sendo implantado fica em Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Acre com o Peru. Assim como em Tunuí, o acesso é feito por via aérea ou pelos rios, em viagens que podem levar até cinco dias. O município tem pouco mais de quatro mil habitantes na área urbana, mas um grande problema: é rota do tráfico de drogas e de contrabando de madeira, retirada principalmente de áreas indígenas. No Acre, o Comando do Exército vai reforçar as divisas com outros países instalando outros quatro PEFs.
Garimpo
O terceiro PEF em construção fica em Tiriós (PA), próximo à Guiana e ao Suriname, região de difícil acesso e com vários problemas, como a instalação de traficantes e mercenários em uma área disputada pelos dois países, na fronteira com o Brasil. Assim como os demais locais, a área é habitada por índios e integra o Parque Tumucumaque, onde há exploração de garimpo ilegal. Também é uma região isolada, como Vila Contão, em Roraima, onde está instalado o quarto PEF. Como as outras, é problemática e próxima à Reserva Indígena Raposa Serra do Sol.
A instalação dos PEFs está prevista no Projeto Amazônia Protegida, uma das medidas que consta na Estratégia Nacional de Defesa. Até 2030, segundo o Comando do Exército, serão ativados quatro pelotões no Amapá, três no Pará, cinco em Roraima, seis no Amazonas, três no Acre e três em Rondônia.
Ênfase regional
No Exército Brasileiro, um pelotão é formado por pelo menos 40 militares, comandados normalmente por um tenente. Na Amazônia, a intenção da Força Armada é utilizar soldados da própria região e transferir para os locais das novas bases um número mínimo de oficiais de outros estados.
 Correio Braziliense

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