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É impactante conhecer o desafio de controlar 11 mil quilômetros de fronteira, com 7 países, dos 15 mil que separam o Brasil dos seus vizinhos, na sua maioria áreas inóspitas, de densa mata, sob a responsabilidade do Exército.

Jo MoraesCaravana no avião C105
Uma caravana de deputados, consultores da Câmara e membros de outros órgãos do executivo teve a oportunidade de conhecer alguns aspectos das áreas de atuação do Comando Militar da Amazônia-CMA que hoje já conta com 22 pelotões especiais de fronteira e 5 brigadas, perfazendo mais de 25 mil homens e algumas centenas de mulheres na região.
Sob responsabilidade do CMA estão 5,2 milhões de quilômetros quadrados, um terço das florestas tropicais da terra, maior bacia de água doce do mundo, incalculável potencial mineral e 13 milhões de habitantes. Numa simulação de dimensão espacial, na região cabem 14 países da Europa, entre eles França, Alemanha, Espanha e Itália.
A caravana esteve em Manaus onde fica o Comando e o Centro de Instrução de Guerra na Selva; em Tefé onde se concentra a Brigada das Missões; em Tabatinga onde funciona o Batalhão de Infantaria da Selva e no Pelotão Especial de Fronteira Estirão do Equador, divisa com o Peru, todos no território do Estado do Amazonas.
O primeiro impacto sob a natureza da região veio logo no início da viagem, durante a palestra do General Luis Carlos Gomes Mattos, comandante do CMA. Interrompido em sua fala, ele sai da sala para ser comunicado do desaparecimento de um avião da FAB com 11 pessoas que ia de Cruzeiro, do Sul no Acre a Tabatinga, em missão sanitária. Ninguém escapa da tensão da notícia. Primeiro pelas possíveis vítimas. Segundo porque a mata era a mesma que a caravana cruzaria.
É complexa a função do Comando Militar na Região da Amazônia, segundo o que a caravana pode observar. A primeira missão é proteger a fronteira fiscalizando seu vasto traçado. Mas, se incorpora aí a tarefa de dissuadir e combater atividades ilícitas como o tráfico de drogas, o desmatamento, o garimpo ilegal, o contrabando. Além disso o efetivo do Exército ainda realiza atividades de prestar assistência às populações indígenas, realizar trabalhos de engenharia, participar em campanhas de vacinação pública, cobrir os litígios dos processos eleitorais e prestar serviços à comunidade, particularmente na área de saúde.
Dois exemplos demonstram bem essa diversidade da ação do Exército na região. No último pleito municipal, das 27 cidades que integram a Brigada das Missões, em Tefé, a justiça eleitoral solicitou apoio para 18 municípios. Em Tabatinga, no hospital da cidade sob responsabilidade do Exército, mais de 80% do atendimento são de civis, além do atendimento às populações indígenas e as de estrangeiros. Apenas 2% são pacientes oriundos do efetivo militar. No avião da FAB que trouxe a caravana de volta de Estirão do Equador a Tabatinga veio um civil atacado de malária com alterações cardíacas.
Num momento em que a região amazônica se torna cada vez mais estratégica para a defesa nacional, deveria ser uma prática freqüente dos membros do Congresso, conhecer no local, as condições em que se realiza essa atividade, sob responsabilidade do Comando Militar da Amazônia. Estiveram presentes na caravana, apenas quatro deputados: Jô Moraes (MG), João Campos (GO), Ernandes Amorim (RO) e José Edmar (DF).
Da Amazônia,
Jô Moraes.
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