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Em março de 2008, o francês Alain Bernar, então recordista mundial dos 50m e 100m livre, fez uma solicitação para integrar a Guarda Nacional de seu país. Na França, o Exército reserva 90 postos para atletas de elite, com o intuito de dar melhores condições para seguirem suas carreiras. O Brasil fará o mesmo e já forma sua equipe para os Jogos Mundiais Militares, que serão disputados no Rio de Janeiro em 2011.
Foi criado um edital para selecionar 80 atletas que serão incorporados como sargentos temporários no dia 9 de novembro e terão direito a remuneração e a todos os benefícios da patente. A única exigência é que disputem todas as competições militares. Os currículos dos 250 inscritos foram avaliados e 102 avançaram à segunda fase.
Medalhistas olímpicos como Emanuel, Leandro Guilheiro, Tiago Camilo, Vicente Lenílson e Natália Falavigna estão na lista. João Derly, Poliana Okimoto e boa parte da equipe de natação que disputou as Olimpíadas de Pequim também passarão pela entrevista de recursos humanos, teste de seleção prático e inspeção de saúde. A triatleta Mariana Ohata, que está suspensa preventivamente por suspeita de doping, também está na relação.
– Contar com atletas de elite é um upgrade para o Exército e também para o esporte brasileiro. Vamos dar o apoio que muitos não têm. Acreditamos que poderemos ter uma boa representação nos Jogos Mundiais. Nas edições passadas, participamos apenas com militares – disse o Major Siqueira, responsável pela equipe de natação lembrando que o Exército alemão conta com 650 atletas.
Ele tem contado com a ajuda de Luiz Lima, que se despediu das competições internacionais no Mundial de Roma, em julho.
– No Leste Europeu e na China a base esportiva conta com o apoio militar. A equipe olímpica italiana de natação também sempre teve tradição de ser formada por 90% de militares. A França também. Vou contribuir com esse processo até 2011 – disse o nadador.
A pernambucana Yane Marques, que deu ao Brasil a inédita medalha de prata na Copa do Mundo de pentatlo moderno este mês, ressalta a importância de ter ingressado no Exército em 2003.
– Foi uma oportunidade que caiu do céu. O Exército tem uma estrutura física, conhecimento científico e boas condições para treino. Além disso, é muito difícil conseguir patrocínio. Eu perdi o que tinha porque eles decidiram investir em outras áreas. Agora conto com a ajuda do Bolsa-Atleta estadual (R$ 1.000) e com o soldo (R$ 2.000). Não senti muita dificuldade porque no pentatlo há muitos militares. Eu digo que era uma civil enquadrada – brinca a sargento.
Os Jogos do Rio esperam contar com a presença de Yelena Isinbayeva, recordista mundial do salto com vara e sargento do Exército russo. Foi dela uma das 38 medalhas de ouro conquistadas por atletas militares em Pequim.
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