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Gisele Loeblein
O caminho que levou esse jovem brasileiro ao front do país asiático – que desde 2001 trava uma guerra contra a milícia fundamentalista Talibã – começa pela capital do Estado, onde o jovem estudou.

Filho de um militar gaúcho e de uma carioca, Paulo Roberto nasceu em Humaitá, no Amazonas, local onde o pai trabalhava na época. Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro. Mais tarde, veio morar no Rio Grande do Sul – entre 2002 e 2005, foi interno do Colégio Militar, onde ganhou o apelido de Fly. Aluno dedicado e excelente atleta, chegou à instituição já com o sonho de fazer carreira:

– Nunca pensei em ser civil, fazer faculdade. Queria a carreira militar.

As primeiras tentativas de transformar o sonho em realidade terminaram em frustração: ele não foi aprovado nos testes para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército brasileiro e da Academia da Força Aérea. Mas se manteve firme na sua batalha e encontrou na mítica Legião Estrangeira da França uma oportunidade.

– Já no colégio ele e uns colegas viram o site da instituição. Mais tarde, quando trabalhou como salva-vidas na Operação Golfinho, conheceu um sargento da Legião, que estava de férias – lembra Paulo Roberto Araújo, 53 anos, o pai.
No dia 23 de agosto de 2007, Paulo Roberto, o filho, desembarcou na França para participar da rigorosa seleção da unidade francesa. Foram três semanas de entrevistas, exames médicos e testes. Aprovado, partiu para o treinamento – que durou cerca de um ano.

– Foram quatro meses de instrução básica, aprendendo tudo o que vamos precisar na carreira e também fazendo curso de francês. Depois, fui servir na cidade de Laudun, onde começou um novo período de treinamento – explica.

Aplicado, Paulo Roberto, que chegou na Europa falando inglês e espanhol, aprendeu rápido o idioma e hoje fala português já com um carregado sotaque francês. O domínio da língua ajudou na evolução da carreira. Integrante do 1º Regimento Estrangeiro de Engenheiros de Combate, ele partiu para o curso de cabo e não pensou duas vezes quando surgiu a oportunidade de ir para o Afeganistão.

– Afeganistão e Iraque são o topo do teatro operacional. Todo mundo que está na Legião quer ir, por causa do prestígio – revela o brasileiro.

Antes do desembarque no país asiático, no último dia 2 de julho, a companhia teve seis meses de treinamento.

– Monitoram tudo o que acontece e sabem em que nível as tropas estão.

Para não deixar a família apreensiva, o brasileiro mantém contato constante. E no front, Paulo Roberto avalia como fundamental a passagem e o aprendizado adquirido em terras gaúchas:

– Adquiri disciplina, conhecimento, aprendi a me portar.

Paulo Roberto se comunica com a família, no Brasil, e a namorada, na França, com a ajuda da tecnologia – usa um sistema de mensagens instantâneas que permite fazer ligações e um site de relacionamentos.Leia mais.

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